Não foi preciso fazer escolhas. O condutor, gentilmente, pegou-me pela mão, enlaçou minha cintura, deu-me um beijo doce e perguntou: por que não pulas? E deu um empurrão, de leve, muito leve.
O que eu não quis ver é que todo o caminho dos trilhos era sobre uma ponte. Ao pular, caí no desfiladeiro igual.
17 outubro 2010
10 outubro 2010
Por que eu não consigo não dizer
ENQUETE
Então, você vê a propaganda: viagem de trem. Um trem charmoso, bonito, elegante. Você entra, vê que o serviço é excelente. Mas o condutor avisa: moça, o problema é um só: esse trem segue por trilhos que vão dar num despenhadeiro. O final da viagem não será feliz.
Eu me pergunto: você embarcaria? E, se embarcar... Você conseguiria esperar o fim tocando música como os músicos do Titanic? Ou quanto tempo esperaria para pular antes da queda no precipício?
Então, você vê a propaganda: viagem de trem. Um trem charmoso, bonito, elegante. Você entra, vê que o serviço é excelente. Mas o condutor avisa: moça, o problema é um só: esse trem segue por trilhos que vão dar num despenhadeiro. O final da viagem não será feliz.
Eu me pergunto: você embarcaria? E, se embarcar... Você conseguiria esperar o fim tocando música como os músicos do Titanic? Ou quanto tempo esperaria para pular antes da queda no precipício?
02 junho 2010
O cocô do cavalo do bandido
Eu fico perguntando por que me importo. Eu não deveria dar bola, não deveria doer. Eu devia ser como a maior parte das pessoas: pisar, magoar, revidar. Não consigo. Cada dardo lançado dói demais em mim e parece ineficaz contra o "inimigo". Me sinto burra, totalmente inofensiva, quando eu queria era machucar. Mas não consigo me sentir errada.
07 maio 2010
Carta para o Enzo
Faz tempo que estou querendo te escrever, filho. Vai calhar que agora é Dia das Mães, mas não é por isso que a carta está sendo escrita agora. É porque o amor é tanto que não está dando mais pra guardar, eu PRECISO colocar para fora.
Bom, quando puderes ler isso, tu já vais saber que nunca fui uma mãe normal. Desde o começo, minhas expectativas sempre foram diferentes das expectativas da maioria das mães.
Depois de um certo ponto da gravidez, eu não torcia ansiosamente para que tu nascesse rápido. Eu queria era que tu ficasse o mais tempo possível dentro da barriga, para o teu próprio bem. Mas tu não quiseste, e lá fomos nós começar o desafio de aprender juntos a fazer tudo diferente.
Depois de um certo ponto da gravidez, eu não torcia ansiosamente para que tu nascesse rápido. Eu queria era que tu ficasse o mais tempo possível dentro da barriga, para o teu próprio bem. Mas tu não quiseste, e lá fomos nós começar o desafio de aprender juntos a fazer tudo diferente.
Ao contrário das outras mães, eu não estava ansiosa para ter alta e ir pra casa. Porque eu sabia que tu não irias comigo.
Eu não estava ansiosa para trocar tuas fraldas. Eu queria que tu pudesse começar a usá-las, assim como as dezenas de roupinhas que aguardaram no armário mais de mês para poderem começar a entrar em uso - e muitas das quais nunca serviram (por ficarem grandes demais, também ao contrário do que costuma acontecer com a maioria das crianças).
Eu sonhava com o dia em que poderia te fazer dormir no meu colo, e não com a noite em que tu dormirias no teu berço. Sonhava com o dia em que poderia te pegar sem fios, sem pressa, sem ter que te devolver para a incubadora. Aliás, na primeira semana, queria era poder tirar tudo o que cobria o teu rosto e finalmente poder olhá-lo em detalhes, coisa que eu só fazia por uns raros minutos por dia.
E todos esses momentos vieram, e todos só aumentaram a felicidade que nasceu no dia em que eu soube que tu existias em mim.
E continuamos, quase três anos depois, na nossa rotina diferente de mãe e filho: esperei um pouco mais pelos teus passos, ainda mais pelas tuas palavras. Hoje, espero pelas palavras que não sejam apenas repetição pura e simples. Espero poder ouvir de ti como foi teu dia na creche, quem são teus melhores amigos, quais as tuas brincadeiras preferidas.
Espero pelo dia em que não precisaremos mais de vitaminas, remédios, terapias e consultas. Nem dos exames de sangue, ah, benditos e extenuantes exames, e sempre eu para te segurar, com o coração partido e um sorriso para disfarçar. Mas duvido que tu não perceba a dor dentro dos meus olhos, quando a gente se olha e sei, intimamente, que nós dois nos perguntamos: precisa mesmo isso? Sim, a gente sabe que precisa.
Mas essa minha vida de mãe não tem apenas expectativas adiadas – até porque eu sei que esses dias todos também chegarão. Tem momentos de amor e alegria infinitos.
Tu me surpreendes a cada dia ao aprender letras e números e músicas. Com o teu carinho, teu abraço pela manhã e teus pulos na minha barriga, para depois encostar a cabeça no meu umbigo e dizer: "ai ,que todoso".
Tu me fazes feliz com teus pulos incertos, com tua gargalhada ao me ouvir no telefone, com tua doçura estendida a todos que encontras no caminho. Com teu olhar deslumbrado pelo mundo, e com teu olhar observador, como quem capta mais do que consegue expressar, talvez mais do que devia. Com teu amor incondicional por mim. Com teu choro ao me perceber irritada. Com tua paciência.
Tu me ensinas com teus exemplos. De persistência, de coragem, até de teimosia. Contigo e por ti, aprendo a lutar pelo que é importante, pelo que é necessário, pelo que vale a pena. Aprendo a esquecer rápido aquilo que não prestou. Aprendi e aprendo a sorrir. Mesmo que esteja doendo.
E esse texto é pra dizer que, não sei como, eu ando ainda mais apaixonada por ti. Eu achava que já te amava com todo o amor que eu podia dar, mas descobri que não. Que, por ti, é sempre possível ir além.
Daquele tipo de amor que faz o dia cansativo e estressante virar nada quando chego em casa e te coloco na tua cama e converso contigo, na esperança que tu ouças enquanto dormes e possas entender um pouquinho do que sinto.
Do tipo de amor que faz meu dia mais feliz só de lembrar de ti. Que faz a gente sentir o cheiro e ouvir a voz da pessoa amada. Que dá uma saudade de doer o coração, ainda que faça poucas horas que a gente tenha se despedido.
Tu me fazes uma pessoa melhor e, mais importante, fazes eu realmente querer ser melhor. E eu tenho tentado, muito. Eu não sei se o Dia das Mães precisava existir. Mas quero criar um Dia do Filho pra ti. Tenho certeza que tu mereces mais do que eu.
19 abril 2010
No aguardo
E eu sigo esperando um sinal
procuro um manual
algo que me diga o que fazer
sem ter que pensar
sem ter que escolher
A vida seria bem mais simples
e menos sofrida
e menos divertida
sem o tal livre arbítrio
08 abril 2010
Divagando
Maria Luísa esmerou-se no muro que construíra para se proteger. Mas esqueceu que o perigo, justamente, era o que batia lá dentro.
Quando se deu conta, era tarde e ela estava sozinha. Gritou, pediu socorro, mas o som reverberava e voltava a seus ouvidos. Só o que chegava a Maria Luísa eram seu próprio eco e o som multiplicado das batidas de seu próprio coração.
Enquanto ela ajoelhava e chorava, apertada pelas paredes que construíra em volta de si, as pessoas passavam e diziam
- Não é uma fortaleza essa menina?
Quando se deu conta, era tarde e ela estava sozinha. Gritou, pediu socorro, mas o som reverberava e voltava a seus ouvidos. Só o que chegava a Maria Luísa eram seu próprio eco e o som multiplicado das batidas de seu próprio coração.
Enquanto ela ajoelhava e chorava, apertada pelas paredes que construíra em volta de si, as pessoas passavam e diziam
- Não é uma fortaleza essa menina?
21 março 2010
Alguma coisa acontece no meu coração
E, de repente, me senti tão importante que os segundos lugares não me interessam mais. Não me interessam mais sorrisos incertos, vontades inseguras. Não me interessam mais saudades.
Não me interessa mais me esconder, nem negar, nem deixar pra depois. Mas continuo desinteressada em brigas e disputas. Só me interessa é ser feliz. Do meu jeito, comigo, e só.
Não me interessa mais me esconder, nem negar, nem deixar pra depois. Mas continuo desinteressada em brigas e disputas. Só me interessa é ser feliz. Do meu jeito, comigo, e só.
07 março 2010
Tudo azul
Eu odeio o vazio. E quando sinto esse oco dentro de mim, odeio o meu medo, o meu conforto, a minha procura por um lugar seguro. Pra quê? Por que não deixar simplesmente acontecer o inevitável, em vez de me jogar contra a correnteza e lutar uma luta perdida desde o começo? O que dói mais: impedir a mim de ser eu mesma ou a derrota?
Ops... esqueci que essa briga constante é ser quem eu sou. Tudo certo então :P
Ops... esqueci que essa briga constante é ser quem eu sou. Tudo certo então :P
14 fevereiro 2010
Ufa
E parece que saiu a sensação de aperto no peito. De que tinha alguma coisa errada. E, bom, acho até que tinha, mas agora, tudo está no seu lugar. E eu estou feliz, incrivelmente feliz.
O limão virou limonada. E tô pensando seriamente em fazer uma caipirinha agora!
O limão virou limonada. E tô pensando seriamente em fazer uma caipirinha agora!
08 fevereiro 2010
Confissão na boca alheia
"Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressivo e tal. É preciso acabar com esse medo de ser tocado lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso."
Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu
31 janeiro 2010
Feliz ano novo, finalmente
Uma noite de conversas e boa companhia para fazer brotar a vontade de avaliar, finalmente, o ano que passou e esse começo de 2010, que foi mais que intenso, com tudo de bom e ruim que um ano pode ter no curto espaço de 30 dias.
Nem vale a pena entrar nos detalhes, porque cotidiano só é interessante em novela. Mas 2009 me fez mais forte, me fez mais alegre, me fez mais amiga, mais divertida. Me fez também mais medrosa, mais fechada nos meus sentimentos, mais manhosa, talvez até mais egoísta. Depois de dois anos estranhos, finalmente um ano me fez voltar a ser mais eu mesma.
Nem vale a pena entrar nos detalhes, porque cotidiano só é interessante em novela. Mas 2009 me fez mais forte, me fez mais alegre, me fez mais amiga, mais divertida. Me fez também mais medrosa, mais fechada nos meus sentimentos, mais manhosa, talvez até mais egoísta. Depois de dois anos estranhos, finalmente um ano me fez voltar a ser mais eu mesma.
20 dezembro 2009
02 dezembro 2009
Só basta acreditar, já dizia a Xuxa
Desde a semana passada, minha vida melhorou muito. E o mais incrível é que tudo continua igual, a única que mudou fui eu.
30 novembro 2009
Reflexões sobre o mundo animal #1
É... nem todo rabo comido por cobra tem a mesma sorte...
Cobra come o próprio rabo e precisa de ajuda para soltá-lo
Cobra come o próprio rabo e precisa de ajuda para soltá-lo
18 novembro 2009
Matutando
Eu sempre gostei do inatingível. Por um bom tempo, achei que era fulgor da juventude. Depois, utopia de quem busca o melhor. Hoje, tenho certeza de que é simples covardia.
10 novembro 2009
A regra é clara
Toda vez que começo a pensar bobagem, a vida me traz assuntos sérios pra pensar.
Então tá, vamos nessa!
Então tá, vamos nessa!
29 outubro 2009
Dicotomia
Eu sou a pessoa romântica mais racional que conheço. Sonho, e enquanto sonho já vou enfiando os pés na terra. Fico feliz, melhor do que enfiar os pés na lama. Mas é bom enfiar na jaca de vez em quando, né?
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Nada como o sono para fazer a gente refletir sobre a vida!
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Nada como o sono para fazer a gente refletir sobre a vida!
26 outubro 2009
Fim do fim de semana, recomeço
Final de semana puxado. Cansativo. Mas divertido até o fim. Bom voltar a ser criança, bom pagar mico, bom fazer novos amigos, bom ajudar. E rir, rir muito. E melhor ainda a expectativa de, em breve, estar com meu coração inteiro de novo, com a volta da melhor parte de mim...
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Meus oito anos (Casemiro de Abreu)
Oh ! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh ! dias da minha infância!
Oh ! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus
-Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
(...)
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Meus oito anos (Casemiro de Abreu)
Oh ! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!
Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!
Oh ! dias da minha infância!
Oh ! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus
-Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
(...)
21 outubro 2009
Galvão, eu já sabia!
Mulheres do futuro serão mais baixinhas e mais gordinhas
Arrá! Eu sempre disse que eu era uma mulher à frente do meu tempo!
Arrá! Eu sempre disse que eu era uma mulher à frente do meu tempo!
15 outubro 2009
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