11 dezembro 2010

Golpe de mestre

Foi de repente. Maria Luísa até hoje não sabe como, mas, apesar de ter se fechado em seu castelo, de repente, uma Horda estava lá dentro. Uma Horda bem amigável, diga-se de passagem, e por um bom tempo Maria Luísa curtiu ter sons e outras risadas tão perto. Aproveitou a companhia, compartilhou momentos. Até que começou a se preocupar. Afinal, seu castelo tão bem construído, seus jardins tão perfeitos... Ela sabia que, mais cedo, menos cedo, ia acontecer. Por algum motivo, a Horda iria pisar em seus amores-perfeitos, sujar os muros alvos, quebrar uma vidraça. Era o que sempre acontecia, e por isso os muros dos castelos tinham sido reforçados.

Tentou agir da maneira mais simples: mandou todo mundo embora. E o resultado foi péssimo: revoltada, a Horda esbravejou; cega, passou por cima de canteiros e quebrou muitas flores. Maria Luísa viu que não ia dar certo. E mudou a estratégia.

Ela foi lá e pintou os muros externos do mais lindo colorido. Espalhou cheiros, espalhou pássaros, espalhou música. Plantou flores bonitas no pântano que havia em torno do castelo. Ok, provavelmente a beleza disso tudo não duraria muito, mas Maria Luísa só precisava que elas durassem o suficiente.

A Horda percebeu a novidade. E foi saindo, silenciosa e pacificamente da perfeição e das maravilhas do castelo de Maria Luísa. Encantada com a beleza do pântano disfarçado, lá ficou. E Maria Luísa pôde novamente içar a ponte elevadiça, fechar todas as entradas e reforçar, pela centésima vez, os muros do castelo.

Exausta, porém segura, respirou aliviada.

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